(Este texto é dedicado àqueles que um dia pensam em passar um tempo nos EUA, ou lugar parecido... Espero que ajude!)
Todos os indivíduos quando vão parar em terras estrangeiras – para morar ou ficar um longo tempo – não demoram para chegar a conclusões sobre “como é o povo local”. Estas logo se tornam assunto favorito de conversas de rodinhas quando se juntam dois ou mais indivíduos da mesma nacionalidade. Como já discutimos sobre Lévy Strauss aqui neste blog, dá para adivinhar que tais conclusões são normalmente negativas: chineses no Brasil falam mal dos brasileiros; brasileiros na América falam dos americanos; americanos na Europa falam mal dos europeus... Não tem como escapar. Este comportamento, aparentemente arrogante e petulante, é na verdade uma tentativa (malsucedida) de tentar compreender a cultura local, de tirar regras de comportamento dos nativos para saber comportar-se de forma adequada e ser aceito. O que no fundo todos querem é ser felizes – temporariamente ou para sempre – nas terras estrangeiras. Mas, como as conclusões tiradas nem sempre correspondem à realidade – na maioria das vezes são apenas estereótipos longe de serem generalizáveis – o resultado final pode ser de mais sofrimento.
Por isso, é de extremo valor quando podemos nos deparar com descrições sobre o ser e o agir de um povo descritos por seus genuínos representantes. A parcialidade e o viés não estão de todo anulados, mas certamente a visão é muito mais acurada, ampla, sem contar que, por motivos sociológicos que não merecem ser aprofundados aqui, pessoas que se dispõem a escrever tratados sobre o seu povo, normalmente têm uma capacidade de análise e crítica mais privilegiados. Por isso, mal posso descrever minha felicidade quando o pessoal do International Office da universidade, durante o encontro de boas-vindas, entregou-nos um conjunto de “manuais” (de sobrevivência nos EUA...) onde encontrava-se também a lista abaixo. Como eu teria sido mais feliz se tivesse lido isso BEM antes! Espero que agora muitos de vocês possam fazer bom uso dela. Mas atenção: quem vai para Disneylândia ou fazer compras na 5a Avenida em Nova York NÃO precisa desta lista!!!
Os Valores com os quais os Americanos Vivem
1. Controle pessoal sobre o Ambiente: as pessoas podem e devem controlar a natureza, seu meio-ambiente e seu destino. O futuro não é determinado pelo destino.
Resultados: Uma sociedade energética, orientado por metas e objetivos claros.
2. Mudança e Mobilidade: mudanças são vistas como positivas, boas, significam progresso, desenvolvimento e crescimento.
Resultados: Sociedade em constante movimento geográfico, econômico e social.
3. O Tempo e seu Controle: o tempo é precioso, o alcance de objetivos depende no uso produtivo do tempo.
Resultados: Eficiência e progresso muitas vezes às custas de relações pessoais.
4. Igualdade: as pessoas têm oportunidades iguais, e são importantes como indivíduos, pelo o que elas são, não da família das quais elas vêm.
Resultados: Pouca hierarquia ou reconhecimento de status.
5. Individualidade, Independência e Privacidade: as pessoas são vistas como indivíduos separados (não membros de grupos) com necessidades individuais. As pessoas precisam de tempo para ficarem sozinhas e serem elas mesmas.
Resultados: Americanos vistos como egocêntricos e algumas vezes isolados e sozinhos.
6. Auto-Ajuda: os americanos têm orgulho de suas conquistas pessoais, não no nome.
Resultados: Respeito conferido a conquistas e não “acidentes de nascimento”.
7. Competição e Livre Empreendedorismo: os americanos acreditam que a competição traz o melhor das pessoas e o livre empreendedorismo produz o máximo de progresso e sucesso.
Resultados: Menor ênfase na cooperação e mais ênfase na competição.
8. Ação e Orientação ao Trabalho: os americanos acreditam que trabalho é moralmente correto, e que é imoral gastar tempo.
Resultados: Mais ênfase em “fazer” do que em “ser”. Atitude pragmática, com sentido claro com relação à vida.
9. Informalidade: os americanos acreditam que a formalidade expressa arrogância e superioridade.
Resultado: Atitudes casuais, igualitárias entre as pessoas e em suas relações.
10. Honestidade, Abertura e “Directness”: só se pode confiar em pessoas que “olham em seus olhos” e “dizem as coisas como elas são”. A verdade é função da realidade não das circunstâncias.
Resultados: As pessoas tendem a dizer a verdade e não se preocupar em “guardar a cara” ou a honra da outra pessoa.
(Adaptado de “The Values Americans Live By” de Robert Kohls)
Acho que eu não tenho me equivocado muito nas análises deste blog, não é mesmo? ☺