A promoção da multi-etnicidade e multi-culturalismo é obsessão do International House. Chega a ser irritante de tanto que se chove no molhado (ou talvez seja porque ainda não esteja tão molhado para algumas pessoas assim...) Hoje, no dia em que escrevo este blog, está tendo o Spring Festival, um dia inteirinho de apresentações de culturas o mais diversas possível, com coisas que jamais poderíamos chegar perto de imaginar no Brasil. Mas uma das coisas interessantes são as noites étnicas no refeitório: jantar do ano novo persa, ceia (=jantar) da páscoa judaica, almoço irlandês no St. Patrick’s Day, almoço de Mardi-Gras (e este é o momento que os brasileiros devem sentir-se “homenageados”...), etc. Além de pratos das culturas em questão, também pode acontecer de ter decorações específicas, apresentações musicais e de dança. Mesmo comendo muito sozinha, não pude deixar de curtir bastante, por exemplo, a noite do ano novo persa em que houve apresentação de dança do ventre:

Comer no refeitório tornou-se uma atividade prazeirosa depois que o tempo começou a esquentar. O maravilhoso pátio interno do IHouse e suas mesas circulares foram abertas aos comensais. E não posso dizer que não exista uma sensação de alegria quando nos domingos de sol eu sento-me numa das mesas para tomar meu brunch...

Outro lugar de muita freqüência, é a biblioteca, ou melhor, a sala de estudos, apesar de eu tê-la traído por outras mais atraentes no campus (Law, East Asian, Haas, etc, sobre as quais falarei no próximo blog). A vantagem deste é que fica aberto 24 horas por dia. E, passando por lá seja às 7 da manhã, seja ao meio dia, seja às 4 da tarde, às 10 da noite, às 2 da manhã, eu sei que terei companhia, principalmente dos jovenzinhos asiáticos, se for nos horários extremos da lista acima (eu já fiquei lá em todos estes horários, não são exemplos hipotéticos!)
O único lugar que chamou a atenção da Trish quando veio me deixar, é o chamado Great Hall:
O pé direito alto, as paredes cobertas com belíssimos tapetes persas, os lustres imitando candelabros, o teto decorado, os suportes de vigas em formato de cabeças de bodes (???), e os confortáveis sofás fazem com que seja meu lugar predito para tomar o sorvete-sobremesa-do-jantar de todas as noites (mais uma coisa boa do refeitório!). Pena que, assim como todos, todos, todos os cômodos da International House, tenha as insuportáveis e horrendas paredes beges...
(Teto do Great Hall)

(Suporte de vigas com cabeças de bodes)
Entre pequenas alegrias, pequenos dissabores e algumas grandes irritações, foi uma experiência e tanto, e certamente única, na minha vida ter morado num lugar como este. Dormitório, centro de convenções da universidade (quase tudo acontece aqui, pois além do lugares descritos, ainda tem um monte de salas sociais e um velho auditório), ONU (como eles querem ser oficialmente reconhecidos), escritório de assuntos dos alunos e visitantes estrangeiros, promotor de eventos de “inserção cultural dos alunos estrangeiros”, etc. (até missa católica aconteceu aqui na quarta-feira de cinzas) este lugar tem de tudo um pouco. Um dia sei que vou rir olhando para trás para este tempo em que passei no meu horrendo quartinho rodeado por barulheira de estridentes estudantes. Como já estou rindo... Faltando exatas 4 semanas para minha mudança para um pacatíssimo bairro de casas de famílias norte-americanas, onde terei uma casinha-kitnete, tudo parece se tornar mais bonito e suportável por aqui...